“Saramago, 102 anos do seu nascimento” – Manuel Domínguez

23 Novembro 2024

Em novembro de 2024, comemora-se o 102.º aniversário do nascimento do Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, nascido na antiga aldeia de Azinhaga.

O seu romance “O Evangelho Segundo Jesucristo” (1991) catapultou-o para a fama após uma polémica sem precedentes em Portugal – que se considera uma república laica – quando o Governo vetou a sua candidatura ao Prémio Literário Europeu desse ano, alegando que “ofendia os católicos”.

Como ato de protesta, Saramago deixou Portugal e instalou-se na ilha canária de Lanzarote.

Como a sua extensa obra é bem conhecida, podemos dizer que a casa museu de Lanzarote está aberta ao público, um pequeno museu. No bairro de Alfama, em Lisboa, em frente à Casa dos Bicos, que é a fundação do escritor, há uma velha oliveira mesmo em frente, trazida da aldeia onde ele nasceu, baixo as suas raízes estão as suas cinzas, a terra de Lanzarote depositada pela sua mulher Pilar, a terra onde ele passou uma parte importante da sua vida.

A fotografia mostra, que terra da Galiza o cobre, é um pequeno presente póstumo, um ato de amor, ao escritor, à cultura e a um lutador pelas liberdades.

O seu sucesso começou em 1980-82, mas só aos 62 anos é que começou a receber o reconhecimento que merecia.

Digo isto para encorajar os escritores mais velhos e tímidos, na chamada terceira idade, a escreverem, a publicarem e a não desistirem.

Desde que haja tinta e papel e algo para dizer, como disse Saramago.

«Singelamente não tinha algo que dizer e quando não se tem algo que dizer o melhor é calar».

Mas quando há muito que dizer, abrir o tintero e mãos à obra. “Tenho aprendido a não tratar de convencer a ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro”.

José Saramago dixit.

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